Casa assombrada

A questão de termos um fantasma em casa começou a tornar-se real.
Eram pequenas coisas, o apartamento rangia mas como é de madeira isso explica tudo. Mas como explicar que esses barulhos no chão soam a passos e que caminham na nossa direcção?
Sim, muito assustador. Brisas, coisas que apareciam fora do lugar.

Um destes dias, o Peter Pan saiu antes de mim e eu fui a encarregada de abrir as cortinas de manhã.
Quando as abri reparei que estava um copo em cima da bancada. Pensei: “Logo à noite já lhe digo. Vou-lhe já perguntar se não existe máquina de lavar cá em casa”
Depois do trabalho, chego a casa a esfregar as mãos, pronta para lhe dar um raspanete. E o miserável do copo ainda lá estava.
– Custa-te muito meter o copo para lavar? Está aí desde que saíste para trabalhar, só não arrumei porque saí um pouco atrasada.
– Está a gozar? Eu não usei copo nenhum de manhã! Deixei-o aí para te mostrar como és mesmo desarrumada.
Chegámos à conclusão que nenhum de nós tinha usado o copo, eu pedi para ele se deixar de brincadeiras e ele dizia que só podia ter sido eu.
Esta era a história que para mim mais me metia confusão. Não conseguíamos explicar. E cada vez que se falava de cenas estranhas, eu contava isto ao pessoal e havia sempre um ponto de interrogação no ar.

A minha família veio passar uns dias connosco, e uma tarde ao abrir o armário para tirar um copo, está um copo cheio de água lá dentro.
Saiu logo de dentro de mim um berro:
– Qual de vocês é que fez isto?
– Foi o Peter Pan.
– Ele não foi que ele nunca fez isto. – Fui logo eu proteger o menino Peter Pan, que por acaso não é mesmo de fazer essas coisas. Faz piores.
E insistiam na conversa:
– Ele de manhã levantou-se e foi logo à cozinha beber água, só depois foi à casa de banho.
E o Peter Pan começou-se a esvair em argumentos: nunca bebe água de manhã, não foi à cozinha para não incomodar, que tinham sonhado, que ele nunca tinha feito isso.
Juntei as peças do puzzle: a culpa da brincadeira dos copos é toda dele.

O Peter Pan, para além de todas as coisas que faz acordado que já me fazem ter crises de nervos, ainda faz coisas a dormir. Temos um sonâmbulo. O pior é que mesmo que lhe contem as histórias das coisas que fez, ele nega sempre tudo.
Este homem já me fez de tudo a dormir. Já se pôs em cima de mim a dormir tipo prancha, já arranjou carros, já me atirou com caixas, já me fez perguntas aos berros sem sentido nenhum, e quando lhe respondo a pedir para se deitar (completamente aterrorizada porque estava a dormir) ainda se irrita: “Mas estás-me a acordar para quê!?”.
Só não me tinha lembrado mais cedo desta hipótese porque ele normalmente faz as suas peripécias na cama, muito raramente faz noutros sítios.

Ficou resolvido (mesmo que ele teime que não foi ele apesar de ter tido audiência) o fantasma cá de casa não é o Casper, chama-se Peter Pan.

Dia dos namorados

Quando existem ocasiões especiais nas quais faço questão de dar prendas ao Peter Pan mas quero esconde-las até ao momento certo, deixo as prendas sempre guardadas na lavandaria cá de casa.

“Mas onde é que a prenda estava? Guardaste isto onde?” – Pergunta sempre isto enquanto rasga o papel de embrulho com um brilho nos olhos de criança.

Não faz mal estar a partilhar este segredo com vocês ou que chegue aos ouvidos dele.
Acho que ele nem sequer sabe que temos uma lavandaria em casa. E possivelmente nem quer descobrir, porque isso acarreta outro tipo de consequências.

Assim sendo, posso continuar a deixar lá as prendas que ele não as vai descobrir.

Feliz dia dos namorados a todos!!!

Vamos a sondagens

Este título entusiasma-me porque me traz memórias da Casa dos Segredos.

Meus predilectos, sinto falta de comunicar convosco mas muitas vezes deixo o post a metade. Acho sempre que não estou a explicar bem as situações ou que vocês não vão viver as coisas da mesma maneira sentida que eu.

Ando a considerar tornar a Terra do Nunca num canal de Youtube. Com o mesmo contexto, a mesma honestidade que muitas vezes desperta más línguas alheias. Estou disposta a tudo isso, sempre por vocês meus predilectos.

Por isso, digam-me de vossa justiça: preferem ler, por ser mais confortável e poder fazerem-no mesmo através do facebook no trabalho, ou acham que a comunicação via vídeo é mas interessante?
Aguardo impacientemente o vosso feedback. Eu gosto de ler, mas muitas vezes ouvir a garotada a falar no youtube permite-me estar a tratar de outras coisas sem ter de me focar em olhar para o ecrã.

Deixem-me um comentário com a vossa opinião. Estou muito curiosa sobre o que têm para me dizer ou sugestões.

P.S.: Quem me conhece pessoalmente sabe bem que com esta beleza rara vou fazer furor em vídeos. Mas quero atrair pessoas pelo contexto dos videos, não para me gabar do que Deus me deu, ou da sorte que o meu marido tem.

 

“Então e essa vida de casada?”

Esta é a pergunta que mais me têm feito nos últimos tempos.
“Como vai a vida de casada? / Que tal é estar casada? / O que sentes ao estar casada?”
Nunca ninguém esteve tão interessado na minha vida pessoal como actualmente.

À medida que que o tempo corre, vamos passando por vários patamares de perguntas associadas ao nosso crescimento: “Como vai a escola? Já tens namorado? Conseguiste entrar na faculdade? Quando te casas? Como é estar casada?”
Então chegamos a este momento. Não sei como vão ser os próximos. Espero que já chegue de perguntas para ser sincera.

Mas neste momento a pergunta é: Já estás grávida? Então quando engravidas?
Cons-tan-te-(porra)-mente
A nossa vida não mudou em nada. Apenas nos proporcionámos a um dia muito especial, em que mostrámos aos mais chegados o quanto gostamos um do outro e nos comprometemos a querer passar o resto da nossa vida juntos.
Não nos casámos por estar grávida, nem de longe nem de perto.

Quando as pessoas me perguntam como é estar casada lá sai a minha resposta ensaiada (porque estou a prever a pergunta que aí vem): “Estar casada é perguntarem-me a toda a hora se já estou grávida ou quando é que engravido.”
O pessoal ri e eu também. Digo isto em forma de piada mas é bem verdade.

Espero que este post elimine a vontade de algumas pessoas de me fazer a mesma pergunta daqui para a frente. Assim já sabem a resposta.

Marcas de Luxo

Se tens muito dinheiro e queres adquirir marcas de luxo como Chanel, La Prairie, Hermès, Yves Saint Laurent mas não as sabes pronunciar, então esquece lá isso…

Alguém devia de criar uma lei em como se a pessoa não fosse capaz de pronunciar o nome da marca do produto que quer comprar, então esse direito ao consumo seria negado.

A pessoa apenas poderia adquirir qualquer coisa dessa marca de luxo quando pronunciasse bem o nome da mesma.

É um crime dizer que se quer comprar uma Speedy 30 da Louis Vuitton, ter dinheiro para a aquisição da mesma, e depois estragar tudo com o som: Luis Vitóne.
Que dor.

Especialidades gastronómicas internacionais

Estamos a planear uma viagem a Londres.
O Peter Pan decidiu tratar do percurso entre as coisas que queremos ver e fazer. Não que tenha sido ele a propor fazer isso, eu é que lhe disse que tinha de fazer alguma coisa desta vez. Planear dá trabalho, e ele é melhor que eu em encontrar caminhos e localizações e essas coisas. Então pronto, lá lhe saiu um forçado: “ok, eu faço”.

Em vez de se focar na única coisa que lhe tinha sido destinada fazer, foi-se pôr a ler um guia básico para turistas com palavras em inglês de dia a dia, e traços culturais de educação. Devia achar que por estar a demorar muito tempo e a fazer palhaçadas, às tantas eu lá lhe diria num tom aborrecido, que tratava eu do assunto.

Encontrou pratos locais que eram referidos como obrigatórios de se experimentar. Decidiu recitá-los um a um, para se certificar de que eu não fazia nada e muito menos ele. Para garantir que me ia irritando aos poucos, até desistir de lhe pedir para fazer mais coisas.

Lá foi lendo: “fish and chips, …” e eu continuei a ouvir mas tratando de outras coisas que também tinha para fazer, não me ia render.
E por fim leu: “Yorkshire pudding” e olhámos imediatamente um para o outro, a fazer caretas.
Ainda lhe perguntei:
– Será que é bom?
Ao que ele me responde enojado e perplexo:
– Achas!? Pudim com sabor a cão!?

Ele desmanchou-se em gargalhadas enquanto eu abanava a cabeça. Quando acho que já não há mais nada que ele possa dizer que me impressione, acabo sempre por me enganar.
Este homem há de dar comigo em doida.

Um sonho contretizado

Era uma vez uma menina que tinha um sonho. Esse sonho era ter uma paleta Naked.
E um dia, um dia muito longínquo, viu um post de uma blogger portuguesa a comentar o quão fixe era essa mesma paleta que ela tanto sonhava em ter.
Chegou à  Sephora, olhou para a paleta e abriu o sorriso, e depois abriu a carteira e quase que chorou. A ideia de ter uma paleta Naked da Urban Decay era um sonho muito para além das minha possibilidades.
Na verdade, era simplesmente estúpido porque eu nunca me maquilhava. Mas de qualquer forma, aquilo era lindo demais para não ser adquirido.

Depois comecei a trabalhar a no duro e maquilhava-me porque todo o outro mulherio o fazia também. É que não percebia nada daquilo mas fingia bem. Fingia bem mas maquilhava-me tão mal que dói. Mas a culpa não era totalmente minha, eu não fazia mesmo ideia de como o fazer ou como aprender.
Só conseguia ver que elas maquilhadas ficavam lindas, cheias de brilho e eu parecia que tinha ido trabalhar de vir de uma saída à noite, com uma grande ressaca.

Até que uma amiga me começou a corrigir aqui e ali, aconselhou-me a fazer isto e não aquilo. E definitivamente aquilo não, pelo amor de deus, de jeito nenhum.
Mas não se enganem: eu não me sabia maquilhar mas tinha tudo, e comprava montes de coisas que não sabia usar mas achava que por ter as ferramentas ideais ia por milagre aprender.
É o mesmo que me darem as ferramentas do Peter Pan e um motor de carro, “agora arranja!” – era exactamente a mesma situação, com mais ou menos o mesmo nível de perigo.

Fui aprendendo pouco a pouco, comecei mesmo a gostar de me maquilhar, e fui me divertindo e fazendo erros ao mesmo tempo.
Até que vi a Naked à venda por um óptimo preço. Os meus olhos brilharam devido a todo o tempo que eu tinha passado a olhar para aquela paleta e a desejar poder ter uma.
Ainda hesitei entre a Naked 2 e Naked 3, mas tinha de escolher cores mais neutras e fofinhas porque não sou boa o suficiente para trabalhar com as cores da Naked 2.

É definitivamente um dos meu itens de maquilhagem mais amados de sempre! A espera valeu a pena.
Adoro as cores, a pigmentação e a caixa pensada ao detalhe.
A paleta traz não só cores matte como também com brilho, que são a minha perdição. Acho que a paleta traz cores suficientemente bonitas não só para que não quem não quer arriscar, mas também quem se sente pronta e confiante para arrasar com cores mais ousadas.
Arrastei uma amiga comigo nesse dia até à loja e acabou por comprar a Naked Basics que é uma paleta mais pequena de cores matte. Ficou chateada comigo por acabar sempre por ter de comprar qualquer coisa mais cara quando vamos ás compras, mas está super feliz pelo dinheiro investido.
Consumidoras satisfeitas!

ud-naked3

Maturidade

Hoje uma colega disse-me que apesar de sermos da mesma idade, tem sempre a ideia de que sou mais velha que ela. Disse-me isto depois de me ter dito que tinha a pele bonita.
Perguntei-lhe se isso era a maneira educada que tinha arranjado para me dizer que tinha rugas.
Ela riu-se e disse que achasse isso talvez devido à minha maneira de ser, ou por já ser casada.

O que ela não sabe é que com 22 anos comprei um tamagotchi, que andava sempre comigo, e que o alimentava nas aulas da universidade.
A minha amiga gozava-me:
– Mas tu não tens vergonha? És doida?
– Eu não, o bicho tem de comer.

E no trabalho também o deixava na secretaria, ás escondidas (tenho de admitir que aí já sentia um bocado de vergonha) caso acordasse, e precisasse de brincar ou tomar banho.

Andava sempre comigo, queria ser uma mãe dedicada e aprimorada. Até que a criatura morreu.
Se calhar não tinha tanto jeito para a coisa quanto pensava.

Fico feliz em saber que consigo disfarçar esta veia de adolescente muito bem, e que me vão levando como uma senhora que faz justiça à sua postura e idade.
Até me conhecerem bem, claro…

Bolha de espaço pessoal

Fomos jantar com um casal amigo.
O restaurante era daqueles sítios modernos onde terminam o vosso prato, cozinhando à vossa frente. Um barulho dos demónios.

Para matar tempo, enquanto esperávamos pela comida, meti conversa com o namorado da minha amiga:
– Está a correr bem o trabalho?
E ele não me ouviu. Não ouviu nada do que eu disse e quase encostou o nariz no meu, disponível para me dar conversa. Lançou-se para cima da minha cara sem qualquer aviso.
– Não ouvi. – disse o rapaz educadamente. Fiquei desconfortável. Como poderia não estar? Com um polaco de quase 2 metros, 3 vezes mais pesado que eu, quase a dar-me uma cabeçada de tão pertinho que estava de mim.

Quando reparei, estava quase toda dobrada para trás, como que pronta para fazer a ponte que nem ginasta de alta competição.
Não gosto que ocupem o meu espaço pessoal, devia de ser considerando abuso de privacidade. Que estejam tão perto de mim que quase parece estarem a usar a minha boca em vez da deles para falar. Talvez tenha cara de megafone.
Bem, cada um nasce para o que nasce.

Olhei para o Peter Pan, embaraçada com a situação e para tentar safar-me da cena. Queria pedir ajuda e  ser salva daquele embaraço todo mas ele nada.
Percebia-se perfeitamente que o rapaz só estava a tentar ouvir o que eu tinha para lhe dizer. Eu é que lhe tinha feito uma pergunta (uma estúpida pergunta de ocasião, maldita a hora) para dar uma de pinta de acolhedora.Pergunta essa que tinha-se acabado de tornar na minha própria forca.

Voltei a repetir num tom normal, uma vez que ele já estava praticamente a dar-me um beijinho de esquimó, a mesma pergunta.
– O trabalho! Vai bem?
E o óleo do cozinhado dispara ao máximo, pessoas a falar, pratos a serem servidos, copos a brindar.
E mais uma vez ninguém ouviu o que eu disse, quase nem eu própria…
– Desculpa, não ouvi outra vez. – E o rapaz vai de se chegar ainda mais perto, talvez apenas só um milímetro, visto que não havia muito mais espaço para tal manobra do que isso.

Dei dois passos para trás, num sentimento misturado entre vergonha e medo e disse:
– Estou a sentir-me incomodada. Não gosto que as pessoas falem tão perto de mim. Sinto literalmente que estás a invadir a minha pequena bolha de espaço pessoal.
Disse isso ao mesmo tempo que fazia muitos gestos com a mão à roda. Gestos esses que representavam a minha bolha a ser invadida.
Não só para que desta vez ele compreendesse, mas também para ver que quase mal tinha espaço para fazer esse mesmo movimento.

E ele riu-se (devia achar que era piada o garoto) e disse que queria honestamente ouvir-me mas estava tanto barulho que não conseguia. Mas não descolava o focinho da minha frente, a olhar-me nos olhos, postos à minha altura (uma vez que teve de se baixar quase 2 patamares para estar tão perto da minha cara).
– Epa, deixa estar não consigo. Falamos na mesa. Não aguento, é demais para mim.
Rendi-me. Respondi eu agora num tom alto, quando já não havia o barulho do início da terceira guerra mundial na cozinha, e ja não era preciso berrar. Tão típico.

Isso ouviu ele bem, encolheu os ombros e meteu as mãos nos bolsos das calças, sem dar a devida importância ao acontecimento.
Fui me sentar na mesa desolada, derrotada como quem tinha acabado de passar por uma experiência traumatizante.